Saúde e bem estar

Você sabia que é muito importante PISCAR?

Sabe aquela brincadeira gostosa que fazemos com nossos filhos quando eles têm entre 1 e 2 anos… Aquela inocente brincadeira de ensinar a piscar? Ela nunca foi tão importante. Você: aproveite agora e pisque. Pisque de novo, e de novo e de novo….

Sabe porquê? Porque lubrifica os olhos e dá um descanso para os músculos. Músculos? Sim. Os olhos têm músculos. E eles é que nos ajudam a ajustar o foco.

Quando ficamos com os olhos fixos no computador ou TV, celular, os músculos dos olhos ficam exercendo uma única função: olhar fixamente de perto. E enquanto vou deixando os músculos que trabalham para eu enxergar de perto CANSADOS, vou deixando os músculos que olham de longe um pouco mais “FOLGADOS”. Então, aqui vai a dica: a cada meia hora de tela, olhe longe. O mais longe que você puder. Pisque várias vezes. Olhe para o claro. Olhe para o escuro. Alterne os estímulos. Isso fará muito bem a sua visão. Porque não deixa de ser um treino muscular.

E as crianças?

Bem, até o início deste ano, quando falávamos em tempo de tela das nossas crianças, estávamos já alarmados com os dados nocivos de tempo de tela da maioria das crianças. E novamente, acho que quem já leu meus posts já sabe: sem críticas e culpas, ok? Mas apenas para reforçar: tela deixa sim os pequenos bem quietos enquanto “precisamos” que eles fiquem quietos. A real, é que ficam hipnotizados.

Quero destacar algumas coisas no tempo excessivo de tela das crianças:

  • Cuidado com os olhos. A cada meia hora, vamos brincar de piscar?
  • Muito cuidado ao oferecer as refeições enquanto a criança está hipnotizada nas telas. Esse hábito pode “inibir” totalmente o centro de saciedade e pode atrapalhar que a criança desenvolva paladar e discriminação de sabores e texturas. Esses dois pontos acima são os principais descritos na obesidade da vida adulta.
  • Desregular sono e produção de hormônio do crescimento. Enquanto estamos em contato com as telas, nosso cérebro pensa que é dia. E se é dia, ele não baixa o hormônio do alerta. E o hormônio do crescimento só é produzido quando o hormônio do alerta baixa. Cuidado. Já percebeu o grande número de crianças fazendo esse tipo de reposição hormonal? Você acha que isso é por acaso, ou pode ser por esse comportamento?
  • Cuidado com as mãos. As crianças estão tendo tendinites exclusivas de adultos. Basta meia hora por dia segurando um celular para desenvolver uma tendinite muito chata chamada de Quervain.
  • Cuidado com a postura. Com a sua e a do seu filho. Não deixe o pescoço pendurado para baixo olhando a tela. Tente manter o tablete ou o celular na linha do olhar. Levante o celular com os braços até a direção dos olhos. Cansou? Deite de barriga para baixo, e olhe o celular no chão. Cansou de novo? Então, troque de atividade. Essa dor no pescoço já tem até nome: nucalgia. Dói muito e pode se tornar incapacitante. E o pior, incapacita adultos e crianças também.
  • Tempo excessivo de tela promove a inatividade física (sedentarismo).

 

Então vamos lá: a OMS (organização mundial de saúde) recomenda que

  • Crianças de até 1 ano não sejam expostas a tela.
  • Crianças entre 2 e 5 anos usem por no máximo 1 hora por dia.
  • Crianças maiores de 5 anos por no máximo 2 horas por dia.

Fazemos o que então, com a real que estamos vivendo?

  • Separe um tempo SEM TELAS com o seu pequeno. Desligue o celular. Viva sua criança, por pelo menos uma hora no dia. Curta esse único momento que vai passar. Quando digo sem tela, é sem mesmo. Desligue celular, televisão, computador. Seja inteira para seu filho.
  • Deixe o tempo de tela para aquela real necessidade. Não preciso mencionar, você sabe qual é.
  • Brinque sempre de piscar. Brincadeira gostosa que pode salvar nossa condição visual.
  • Alonguem-se. Brinque de alongar com seus pequenos. Deixe desde cedo eles descobrirem o prazer de alongar e se espreguiçar. Brinquem também de chacoalhar as mãos. Ajuda muito na circulação de sangue depois de ficar muito tempo segurando o celular nas mãos.
  • Estimule as crianças a olharem para cima. Já viu como estão tão acostumados a olhar o celular que vivem com o pescoço pendurado?

Tempos diferentes, com comportamentos diferentes, pedem reações diferentes. Sei que fui ácida no texto de hoje. Sei também que muitas vezes queremos apenas uma distração e um tempinho de deslocamento. Se for só isso, está tudo bem. Mas a real, é que estamos excedendo e, crianças e tela realmente não combinam e isso exige mesmo um posicionamento nosso. Como comer direito e fazer exercício. Nem sempre fazemos porque gostamos. Mas porque é necessário.

Uma atitude fala mais que muitas palavras. Mais que apenas um exemplo para as crianças: Vamos piscar, alongar, espreguiçar, brincar juntos; vamos viver?

 

Fisioterapeuta de crianças e adolescentes. Membro da equipe multidisciplinar de dor pediátrica da Unifesp EPM - SP.

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