Amamentação,  Saúde e bem estar

Desmame gentil: Como desmamei meu bebê!

Dias de lutas, dias de glória. Dias de choro, dias de satisfação. Dias de dor, dias de alegria. Dias de cansaço, dias de orgulho. Assim se passaram 2 anos e três meses de amamentação. Não foi fácil, não foi simples, não foi romântico. Mas foi lindo! Me sinto privilegiada por ter conseguido porque sei o quanto é complicado.

 

Não, não me acho melhor do que ninguém. Não me sinto especial. Só me sinto no direito de comemorar e relatar aqui como foi a MINHA EXPERIÊNCIA.

 

Agradeço muito meu marido. Obrigada Namo, conseguimos! Vencemos. Sim, você também venceu porque sei o quanto você teve que ter paciência em me ouvir, pois muitas vezes eu descontei o cansaço e irritação em você. Você não teve peito para dividir a tarefa, mas teve ouvidos para me escutar e braços para pegar Monalisa no colo quando eu não aguentava mais, você teve determinação para persistir por horas de choro dela pedindo “Mamãe”, enquanto eu chorava no outro cômodo de dor, ou exaustão. Conseguimos Papaizão. Amamentamos por 2 anos e 3 meses.

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Agradeço minha rede de apoio: Avós e Dadau. Quantas vezes pedi socorro… Quantas vezes deixei ela com vocês um pouco, para poder dormir, ou simplesmente dar uma volta, para relaxar.

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Agradeço às informações, ao conteúdo que li, às pessoas que segui e me informavam sobre o que deveria ser feito e o que não deveria ser feito. Conteúdo me deu segurança para não ouvir os milhares de palpites: “Dá mamadeira, dá chupeta, Dá fórmula, Já passou da hora, já anda, leite tá fraco, não tem mais nada aí, tá mimando, tá mal acostumando….” Não ouvi. Segui em frente!

Por último e mais importante: Agradeço à Monalisa!!!Sim, minha bebê. Que tantas vezes sorriu pra mim em meio à madrugada. Que tantas vezes fez um carinho no meu rosto enquanto mamava. Que já falante pedia Tetê, eu cansada falava que não, aí ela me convencia falando “só um, po fa vô, só um poco” e mostrava com os dedinhos fazendo sinal de que era pequeno.

Eu ouvi meu coração. Parei quanto achei que era hora. Parei quando estava segura. Parei, após dois anos e três meses. Parei feliz. Parei orgulhosa.

Desmame gentil concluído com sucesso. Isso não quer dizer que foi fácil e simples. Ah como eu queria que tivesse sido…. Queria que tivesse sido como muitas me contaram: “com dois anos ele simplesmente falou: não quero mais”. Mas não, não foi assim. Também queria que tivesse uma fórmula mágica, mas não teve. Eu também não queria mentir, não queria inventar que tinha machucado, não queria colocar faixa, não queria ter que tomar remédio para secar o leite. Não estou dizendo que essas coisas são erradas, mas eu , (REPITO: EU), não queria fazer assim. Ei pesquisei e li bastante sobre DESMAME GENTIL. Um desmame que respeita o tempo do bebê e da mãe. Era isso que eu queria tentar.

 

“Mas Miriam como você fez então?”

Senta que lá vem história….Preciso contar tudo, pq não foi simples, está tudo ligado.

Minha meta era amamentar até dois anos. Sendo que até 1 ano e 6 meses foi EXCLUSIVO de leite materno. Após essa idade comecei a oferecer leite em pó na mamadeira… no começo ela não quis. Depois de uns dois meses passou a tomar. Aí então, comecei a trocar algumas mamadas de dias por mamadeira, ou então distraia com fruta ou bolachinha. Comecei a dizer ‘não” que naquela hora não ia dar peito.

Nesta mesma época o cansaço estava bem forte. Começamos a mudar o jeito de fazer Monalisa dormir. Eu dava peito e depois passava ela, ainda acordada, pro meu marido. Foi fácil? Claro que não. Teve uma noite que ela chorou e gritou me chamando por UMA HORA E 10 MINUTOS. (tem post detalhado desse dia). Eu chorei junto. Mas eu sentia que eu precisava ensiná-la a dormir de outras formas, que não fosse ficar mamando no peito até dormir. Em quatro dias acostumou.

Enquanto isso, cada vez mais as mamadas do dia e de fora de casa foram diminuindo. Ela pedia às vezes, às vezes não lembrava.

A mais difícil até aí foi a mamada da manhã. Ao acordar sempre a busquei no berço e ia direto pro peito. Quando ela fez dois anos decidi que era hora de parar com essa mamada e substituir por mamadeira. Como fiz: Coloquei camiseta bem fechada, do meu marido. Assim o cheiro era outro e ela também não VIA A TENTAÇÃO. Ela pediu, tentou pegar no peito, mas não conseguia. Distraí. Mostrei brinquedos. Brincamos. Só depois ofereci mamadeira. Assim, foi por uma semana, Na segunda semana já não pedia mais.

Aí, com dois anos, limitamos que: MAMAR NO PEITO SÓ ANTES DE DORMIR, NA POLTRONA DE AMAMENTAÇÃO DO QUARTO DELA. Ou seja: Deixamos bem claro QUANDO e ONDE. Isso facilita o entendimento da criança.

Aí chegamos na etapa de tirar de vez……desmamar por completo.

Por várias vezes quis parar de amamentar por completo, mas nunca tinha conseguido porque sempre rolava uma insegurança, ou um apego…. Eu sentia dó de perder aquele momento. Ficava com dó da Monalisa, pensava que sentiria saudade…. Então, no fim das contas percebi que nenhuma dessas vezes era A HORA certa.

Até que, no dia 3 de abril, Monalisa fez 2 anos e 3 meses. Nesse dia consciente ou inconscientemente, acordei decidida: falei pro meu marido: “Hoje vou parar de amamentar de vez, vou precisar da sua ajuda mais ainda”. Eu não estava exausta. Não era um desabafo, não era momentâneo.  Algo em mim tinha mudado. Eu senti que era a hora.

Como a gente já vinha fazendo um longo processo, não foi tão complicado, porque (igual vídeo game) já tínhamos passado várias fases.

Ofereci mamadeira na sala, levei pro quarto, escovei os dentes e expliquei: “Filha o Tetê da mamãe acabou. Você já cresceu e está pronta para não tomar mais peito. A mamãe vai continuar te fazendo carinho para dormir. Vamos orar e contar história, depois o papai vai ninar você”. Ela disse sim, mas não entendeu direito que realmente não tinha peito. Fizemos tudo, oramos, contamos história….ela sonolenta deitou em posição de mamar e enfiou a mão no meu peito. Eu sentei ela e repeti : “Já contei história, já oramos, agora o papai vai ninar”. Ela berrou, chorou…. meu marido pegou. Ninou no colo, cantou, como sempre, mas dessa vez não teve tete, então ela – que já não chorava mais com ele – nessa noite chorou. Mas foi pouco. 10 minutos. Quando estava calma, ele colocou no berço, ficou ao lado acarinhando (como já fazia antes) até ela dormir.

Três noites depois ela ainda reclamava um pouco quando o pai entra em cena, mas sem choro.

 

Quinta noite, chegou a minha vez. Vou fazer dormir sem peito.

Não deu certo. Fiquei mais de uma hora no quarto, usando a mesma técnica do pai, mas comigo ela não dormiu. Ficava acordada me chamando. Passei a bola pra ele.

 

Sexta noite. Consegui. Iuuuuupiiii.!!!! Dormiu.

Hoje em dia eu e papaizão estamos revezando. Uma noite eu , outra noite ele faz dormir. Os dois com a mesma rotina. E assim foi o desmame. Às vezes ela pede, eu lembro que não tem mais e ficou tudo bem. Às vezes, ela nem lembra.

 

-Miriam, e seu peito, como está?

Respondo: muxinho, coitado,  aahahhaaha!!

Falando sério: Como o desmame foi feito aos poucos, nosso corpo é inteligente e foi produzindo cada vez menos leite. Estou há duas semanas sem amamentar e o peito está do mesmo tamanho. Não enche. Não precisou de remédio nem nada.

Conclusão: Desmame gentil é possível sim. Exige paciência e colaboração. Exige trabalho em equipe. Exige autoconhecimento.

-É a forma CERTA de desmamar? Não sei. Pode ser que pra você tenha sido melhor de outra forma. Pode ser que você não tenha tido escolha. Pode ser que suas circunstâncias tenham sido diferentes…..

 

Eu sempre falo que cada caso é um caso. Não compare sua vida, não compare sua maternidade. Pra mim deu certo assim, pra mim foi assim… Eu compartilho aqui para inspirar outras mães que queiram fazer como eu. Se você não quer, ou não concorda, tudo bem, faça do seu jeito.

 

Essa é a beleza da maternidade. Cada mãe encontra seus caminhos. Mãe e filho criam vínculos específicos e especiais. Curta sua maternidade, sem pressão, sem comparação. Se informe para ter segurança de tomar as decisões.

 

Hoje estou aqui, feliz, sem culpa, segura para dizer que fiz DO MEU JEITO, dei o MEU MELHOR.  Foi lindo. Foi nossa história. A história da minha família.

Jornalista, pedagoga, mãe e muito mais. Repórter na TV MS RECORD, Revista Celebrar e FM CIDADE 101. Mas o foco desse perfil é falar de MATERNIDADE.

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