O Bebê,  Saúde e bem estar

Meu bebê tem cólica, o que fazer?

Para começarmos essa nossa jornada com o pé direito, vamos falar sobre as temíveis cólicas??

Precisamos sempre pensar no conjunto mãe-bebê, pois uma situação estressante como essa, afeta tanto um como o outro, e vai virando uma bola de neve, concordam?

Mas vamos começar pelo bebê…

Nas primeiras duas a três semanas de vida, o bebê tem uma rotina normal (mama, faz cocô, dorme, choraminga, faz xixi). De repente, muda uma chavinha e começa o terror… Choro e grito inconsoláveis, contorcionismos de braços e pernas, punhos fechados. Começou a época das cólicas!! Ela dura até por volta dos 3-4 meses e faz parte do desenvolvimento infantil. O quadro assusta os pais, e o efeito disso está  longe de ser  irrelevante. Para ter certeza de que a cólica é a causa do berreiro, exclua outras possibilidades, como fome, sono, frio e calor.

Não se sabe com a certeza  as causas da cólica. Acredita-se que, entre as possíveis,  estejam  a imaturidade do sistema nervoso central e digestivo, a intolerância à lactose, alteração da motilidade e da colonização do intestino, além da pega incorreta durante as mamadas, uso de chupetas e mamadeira (isso porque facilitam que o bebê engula o ar).

A única coisa que poderá  influenciar nas cólicas, se a mãe tiver ingerido, é a proteína do leite, e mesmo assim,  a criança precisa ter alergia a proteína do leite de vaca para correlacionar os sintomas.

Mas uma coisa é certa: a cólica vai passar! Uns sofrerão mais, outros menos, alguns  nem terão… Paciência e amor fazem tudo ficar mais leve!

Vou deixar aqui algumas dicas que podem ser úteis durante as crises:

1)Pegue o bebê no colo (tente o contato direto da barriga do bebê com a sua barriga);
2) Enrole o bebê em uma manta ou cobertor (famoso charutinho);
3) Flexione as coxas do bebê sobre a barriga;
4) Dê um banho morno ou aplique compressas  mornas na barriga;                                                                5) Reduza os estímulos para o bebê (evite locais com muito barulho ou excesso de pessoas);
6) Procure um ambiente tranqüilo, pode colocar uma música ambiente suave;
7) Tente estabelecer uma rotina para banho, sono, passeio e outras atividades;
8) Não utilize chás, não troque marcas de leite e não use medicamentos sem a orientação do seu Pediatra.

E agora chegou a nossa vez… mães/pais!

Quando nasce um bebê sempre chega junto uma cartilha que ”devemos” seguir. 100% das vezes nessa cartilha tem um capítulo onde diz o que podemos comer, ou melhor, o que NÃO podemos  comer para evitar as cólicas. Como se já não bastasse tudo o que estamos vivendo, ainda aparecem regras que só servem para fazer com que a gente se sinta culpada. Não caia nessa!!! Não se culpe por ter comido alguma coisa e seu bebê estar com cólica, provavelmente ele teria gases de qualquer forma. Mas se mesmo assim você perceber que comeu alguma coisa e pioraram as cólicas, faça um teste:  fique sem comer e observe, coma com moderação e observe.  E tire suas dúvidas com seu pediatra de confiança.

Existem medicações que ajudam a amenizar as cólicas, mas sabemos que é muito difícil controlá-las. Quanto mais nos sentirmos impotentes, maior será a sensação de frustração frente a dor do nosso filho. Uma coisa leva à outra,  e quando percebermos, poderemos estar depressivos, irritados, nos desentendendo como casal, num beco sem saída. Portanto, temos que tentar ao máximo preservar nossa saúde mental nesse momento. E as redes de apoio ajudam muuuuito!!!

Pra finalizar, vou aproveitar  e  desmistificar mais uma coisinha que nos dizem com certa freqüência. Muita gente ainda afirma que se o bebê sofre  com as cólicas e chora muito, ele poderá ser uma criança irritada. Não existe comprovação nenhuma disso! Graças a Deus esse tipo de pensamento tem mudado e já sabemos que não precisamos deixar o bebê chorando para que ele não fique mal acostumado. Vocês já choraram de dor e desespero e ninguém foi te ajudar? Só piora a situação. Isso sim pode ter conseqüências negativas na maneira como ele responderá a dor.

Lembrem-se sempre de tentar priorizar ao máximo o bem estar físico e mental seu e do seu bebê!

Espero ter ajudado vocês de alguma forma…

 

Pediatra e Neonatologista Formada em Medicina pela UFGD, residência de Pediatria pela Unimontes – MG e residência de Neonatologia pela Puc – Campinas. Atuo nas UTIs Neonatal do Hospital Santa Rita e do Hospital Universitário, além de atender no consultório. Sou mãe do Leonardo Henrique e da Iara Maria, responsáveis por me fazer enxergar a pediatria com os olhos do coração! Sim, o nosso coração vê coisas muito além... Que essa nossa troca de experiências seja de grande aprendizado para todas nós!

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