As mães,  Desenvolvimento do bebê

Engatinhar ou andador?

 

Eu não tenho dúvidas que das fases da criança que dão mais trabalho é a primeira infância. Aquela que ele ainda não anda, mas quer tudo. Sabe? Meu filho tem 12 anos e ainda me lembro muito bem dos tombos e roxos nas pernas, galos na cabeça, e o que mais ouvi foi: isso significa saúde.

Sim, saúde física dele e um certo “esgotamento” físico e mental meus. Mas não é sobre a minha saúde que pretendo tratar hoje aqui. Quero falar da nossa necessidade como mãe de “contê-los” a qualquer custo.

Nas fases do desenvolvimento, engatinhar vem antes de se locomover em pé. Por que eu disse “locomover-se em pé” e não disse andar? Porque um acessório ainda muito procurado por mamães, papais e vovós é o ANDADOR.  A sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) já anunciou que o andador não deve ser mais utilizado, e recomendou que todos os profissionais da área da saúde aconselhem os pais nas primeiras consultas pré-natais. Mas, mesmo sendo recomendado o não uso, ele continua sendo a vendido e as pessoas continuam achando que “estimula” a andar. Outros compram por que de alguma forma a criança não “bagunça tanto”. Não bagunça ou não “explora” seu ambiente? Pois assim, a criança pelo menos não fica abrindo e fechando gavetas, mexendo em armários, ou seja, testando limites e a profundidade da visão. A questão é que tudo tem um porquê.

Vamos lá: no andador a criança tem um apoio do quadril, mexendo apenas as perninhas de forma muito veloz e se locomove e muda de direção rapidamente. Qual o problema de a criança mudar de direção rapidamente sem o corpo estar pronto? A questão é que o desenvolvimento se dá de forma coordenada. A criança vê, elabora e experimenta. Logo, ganha habilidades motoras para continuar explorando. Essa fase, entre 9 e 15 meses, é a fase ótima do aprendizado motor para mudanças de direção, fortalecimento da coluna, do abdômen, dos bracinhos, das mãos e da elaboração do movimento na hora de mudar de direção.

  • Quando a criança está no andador, ela se locomove rapidamente
  • Não elabora estratégias motoras para mudar de direção
  • Não usa os músculos do tronco (coluna, abdômen, glúteos)
  • Não fortalece os bracinhos (imagine a criança engatinhando e a força que ela precisa fazer nos braços e ombros para se locomover, não fará no andador).
  • Estações de brincar onde a criança fica “pendurada” explorando uma bancada em volta do corpo, também “contem” a criança enquanto ela solta o corpinho e não trabalha a musculatura das costas e abdômen.

 

Sem contar as questões de queda. Mas isso é assunto para outro post…

Então, como estimular de forma adequada? Alguns objetos limpos e maiores que a boca do bebe e que não ofereçam perigo a ele, um tapete ou edredom e chão. Isso mesmo. Criança precisa de chão. No chão ela explora, ganha força para se locomover, escala objetos e aos poucos, ganha a autonomia que seu corpo suporta. Claro, dá mais trabalho. Mas afinal, o que não dá trabalho na maternidade, não é mesmo?

Ah, e comecei falando da nossa necessidade de contê-los… No próximo, falarei dos chiqueirinhos.

Fisioterapeuta de crianças e adolescentes. Membro da equipe multidisciplinar de dor pediátrica da Unifesp EPM - SP.

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